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Humanoides em fábricas da Hyundai no Brasil?

Também: o pedal de freio que custou quase R$ 8,8 bi, o arroz em 3D e a briga entre Huawei e Qualcomm.

São infinitas as newsletters de tecnologia, mas fato é que quase todas leem a China em inglês. Quando chega a você, o detalhe que importava ficou no caminho.

Vamos ser honestos: quantas das notícias sobre a China que você leu vieram direto de uma fonte chinesa?

Eu e Fi Boldo criamos a +8 para encurtar a distância do conteúdo que vem da China, e remover o viés americano/europeu. Semanalmente lemos direto nas fontes chinesas, escolhemos as matérias de maior impacto e mais difundidas por lá, e trazemos um resumo pra você. Se quiser, basta clicar nas fontes e ler na íntegra.

Nesta primeira edição, tentamos equilibrar a mesa: do arroz ao robô, da patente ao pedal de freio.

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TECH

Robótica

Sinal 1: Além de inspeção, Volkswagen testa humanoide também na logística

O Walker S Lite, humanoide da UBTECH, já fazia inspeção de qualidade na fábrica da FAW-Volkswagen em Qingdao, a sociedade da Volkswagen com a chinesa FAW. Agora as duas assinaram parceria para desenvolver e testar robôs na logística da fábrica.

Em paralelo, a UBTECH colocou para rodar uma fábrica em Liuzhou com capacidade para mais de 10 mil humanoides por ano.

Por que importa na LatAm

a Hyundai planeja levar o Atlas, da Boston Dynamics, para outras fábricas do grupo, inclusive a de Piracicaba (SP). A Volkswagen, que testa o humanoide chinês na China, também tem fábricas no Brasil. Qual será a reação dos sindicatos por aqui?

FUTURE TECH

Agrotecnologia

Sinal 2: China mapeia, célula a célula, a vida inteira do arroz

Uma equipe liderada pelo Laboratório Nacional de Yazhouwan e pela BGI publicou na revista Cell o primeiro atlas celular em 3D do ciclo de vida completo do arroz, da germinação à frutificação. Ou seja, dá para ver quais genes cada célula liga, em cada fase da planta.

Junto, abriram para pesquisadores do mundo todo um portal e o RICE scGPT (sim, um primo do ChatGPT: mesma tecnologia, só que aprendeu com células de arroz, não com texto). A ideia é achar mais rápido os genes que interessam ao melhoramento.

Por que importa na LatAm

o arroz deles não disputa com o nosso, porque a China quase não importa o grão e o brasileiro nem entra lá. Agora, onde pode impactar é na soja: só em 2025, 73,6% da soja que a China importou foi do Brasil. Isso mesmo: US$ 34,5 bilhões em vendas, aprox. 1,5% do nosso PIB. Se esse método chegar à soja, a China vai tentar plantar mais em casa. E cada tonelada colhida lá é uma a menos encomendada aqui.

TECH

IA

Sinal 3: Amazon, Cursor e OpenAI abrem espaço para o modelo chinês da Zhipu

A AWS colocou o GLM-5.3, da Zhipu, no Amazon Bedrock, a plataforma de modelos de IA da nuvem da Amazon. Cada vez que um cliente usa o modelo, a Zhipu leva uma parte da receita.

Não é só a Amazon. O Cursor, ferramenta de programação com IA, adotou o GLM-5.3, que teve a maior nota entre os modelos abertos no teste da própria ferramenta. E o Codex, da OpenAI, passou a aceitar modelos da Zhipu e da Moonshot. Isso mesmo, a maior rival americana abriu a porta para o modelo chinês.

Por que importa na LatAm

quem já usa AWS pode testar um modelo chinês na mesma conta e na mesma fatura. Só não conseguimos confirmar se o GLM-5.3 já está disponível na região do Brasil. E, pela regra do Bedrock, o dono do modelo não tem acesso ao que o cliente digita. Para quem tem receio de mandar dado para a China, isso muda a conversa. Modelo chinês dentro de solução americana ainda é incomum, embora o DeepSeek já esteja no Bedrock. No caso do Codex, a imprensa chinesa diz que é a primeira vez que a OpenAI aceita um modelo chinês na conta das empresas.

TECH

VEs e baterias

Sinal 4: XPeng entra no robotáxi, onde a Baidu já passa de 20 milhões de corridas

A XPeng deu nome ao seu robotáxi: XPENG YOYO. Junto, lançou um miniaplicativo de corridas, aberto ao público só com código de convite. Em Guangzhou, já foram mais de 2.000 viagens internas de teste.

Embora pareça novidade, robotáxi já é rotina na China. O Apollo Go, da Baidu, passa de 20 milhões de corridas, e a Pony.ai cobra corrida sem motorista nas quatro maiores cidades do país. O diferente aqui é a montadora fazer tudo sozinha: o carro, o chip e o aplicativo.

Por que importa na LatAm

a XPeng prepara a chegada ao Brasil. Já tem empresa registrada em São Paulo e abriu vagas para comandar a operação e homologar os carros. Robotáxi chinês já roda fora da China, como o da Baidu no Uber de Dubai. Por aqui, porém, o Código de Trânsito não reconhece carro autônomo, e nenhum carro pode rodar sem motorista habilitado. Ou seja, o carro da XPeng deve chegar antes do robotáxi. Esse só vem quando a lei mudar.

TECH

Agrotecnologia

Sinal 5: Na China, trator de 280 cavalos já trabalha sem operador em teste

A YTO, líder do mercado chinês de tratores, teve aprovado por especialistas o projeto do CH2802-C: um trator de esteira de 280 cavalos que trabalha sem operador.

Não se engane, a ideia não é nova. A YTO testa trator sem operador há anos, e o novo aqui é o porte. Isso não coloca a YTO à frente da John Deere em tecnologia: a Deere já mostrou o 9RX autônomo, de esteira e mais potente. Porém, talvez coloque na competição por preço.

Por que importa na LatAm

a YTO já vende no Brasil, quer 20% do nosso mercado de tratores e anunciou fábrica em Caruaru (PE). Os tratores chineses chegam aqui de 30% a 40% mais baratos que os das líderes (John Deere, CNH e AGCO). O trator sem operador deve ser o próximo da fila por aqui. Se vier com o mesmo desconto, autonomia deixa de ser luxo no campo brasileiro.

TECH

Manufatura avançada

Sinal 6: Pedal de freio quebra em teste e a JAC perde quase 11,8 bilhões de yuans (R$ 8,8 bilhões)

O Dongchedi, site chinês de testes de carros, fez um teste de frenagem de emergência, de 100 km/h a zero, em três Zunjie V800 novos. É a minivan de luxo da Huawei com a JAC, que parte de 766 mil yuans (R$ 571 mil). Nos três carros, o suporte do pedal de freio quebrou entre a 2ª e a 4ª freada forte. Sem pedal, a distância de parada passou de cerca de 38 metros para uns 140.

Não somos uma newsletter de carros, então vamos pro resultado. As ações da JAC caíram o limite diário em dois pregões seguidos: quase 11,8 bilhões de yuans (R$ 8,8 bilhões) a menos em valor de mercado. E o centro técnico do setor automotivo chinês já perguntou às montadoras sobre pedais que não são de metal, como o do V800.

Por que importa na LatAm

a JAC quase sumiu do varejo brasileiro, com só três concessionárias. As chinesas, não: a BYD já é a 4ª marca mais vendida do país. E mesmo o carro que a BYD monta na Bahia chega da China com a carroceria já soldada e pintada. Aqui, é só a montagem final. Ou seja, se a China endurecer a regra para pedal que não é de metal, a mudança deve chegar também aos chineses que rodam por aqui.

FUTURE TECH

IA

Sinal 7: Startup chinesa capta quase 500 milhões de yuans (R$ 373 milhões) para uma IA que não escreve palavra por palavra

O ChatGPT e quase todos os modelos de linguagem escrevem uma palavra de cada vez, da esquerda para a direita. Os modelos por difusão fazem diferente: rascunham o texto inteiro e vão corrigindo, como uma imagem de IA que começa borrada e ganha nitidez. A vantagem é velocidade. Segundo o Google, o Gemini Diffusion, seu modelo experimental desse tipo, gera texto bem mais rápido que o modelo mais veloz que a empresa tinha até então.

A DiffuSpace aposta nesse caminho. A startup de Shenzhen saiu de um laboratório da Universidade de Hong Kong e fechou duas rodadas seguidas, somando quase 500 milhões de yuans (R$ 373 milhões). É o maior financiamento do mundo nesse tipo de modelo, com Huawei e Horizon Robotics entre os investidores. O Dream 7B, modelo da casa, já está entre os três de referência do setor, ao lado do Gemini Diffusion.

Por que importa na LatAm

a conta de IA das empresas daqui é paga em dólar, por volume de texto gerado. Modelo mais rápido tende a atender mais pedidos por servidor e, com o tempo, a custar menos por uso. E a DiffuSpace diz que vai abrir o código do próximo modelo, maior. Se abrir, qualquer empresa daqui pode baixar e rodar no próprio servidor. Será?

TECH

Semicondutores

Sinal 8: A Qualcomm vai pagar a Huawei? Depende de quem conta

Por anos, quase todo fabricante de celular pagou à Qualcomm pelo uso das patentes dela, a tal "taxa Qualcomm". Agora, Huawei e Qualcomm assinaram um acordo de longo prazo em que uma usa as invenções da outra, em 5G, IA, computação e redes. A Qualcomm ainda vai comprar parte das patentes que a Huawei registrou nos Estados Unidos.

A imprensa chinesa tratou como virada: pela primeira vez, a Qualcomm pagaria à Huawei, pelo uso de mais de 680 patentes. Porém, a Qualcomm soltou uma nota negando que vá pagar mais do que recebe. Deve vir briga por aí…

Por que importa na LatAm

celular 5G usa patentes de empresas como essas, e a licença entra no custo do aparelho. Em 2021, a Huawei estabeleceu um teto de US$ 2,50 por aparelho 5G. A Qualcomm cobra um percentual do valor do celular. Se a Huawei passa a receber até da Qualcomm, é sinal do peso que as patentes chinesas ganharam. Para quem fabrica ou importa celular, carro conectado ou máquina com chip de rede, a conta de patente tende a ter cada vez mais endereço chinês.

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