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Argentina, rival na soja, foi à China ver tratores autônomos

Também: o celular ficou mais caro, a China bate recorde no Salão de Paris e apps barram agentes de IA

A Argentina, rival do Brasil na soja, foi a Pequim conhecer tratores autônomos. Se a máquina chinesa chegar ao campo argentino, a disputa pela China fica mais dura para nós.

Os data centers de IA estão levando a memória que iria para o seu celular. O preço médio do aparelho subiu 20% no mundo.

China e UE fecharam acordo que limita os híbridos chineses na Europa, cada lado tem sua versão. Três dias depois, o Salão de Paris abriu com recorde de 20 marcas chinesas, e a Changan falou em fábrica local de 180 mil carros por ano até 2028. Se a importação agora tem teto, o caminho passa a ser produzir lá. Por aqui, já é assim.

Na semana passada, o Doubao, agente da ByteDance, mostrou que quer operar outros apps como se fosse um humano. O Qianwen Go, da Alibaba, quer operar onde há dinheiro das pessoas.

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TECH

Agrotecnologia

Sinal 1: Argentina, rival do Brasil na soja, vai à China conhecer tratores com IA

Uma comitiva argentina, com gente do governo, do parlamento, de universidades, de centros de pesquisa e de empresas, visitou na semana passada a Zhongke Yuan Dongli, de Pequim. Na pauta, IA, energia limpa e robôs no campo, e parcerias entre os dois países.

A empresa saiu da Academia Chinesa de Ciências e faz tratores elétricos e autônomos, além de um sistema que deixa o trator comum trabalhar sem motorista, tema que já apareceu na última edição, com a YTO. Ela diz já ter feito trabalho sem operador em cerca de 67 mil hectares, em mais de 20 províncias chinesas.

No dia seguinte à visita, na Feira de Cantão, fabricantes chinesas de máquinas agrícolas relataram novas encomendas no exterior. Uma delas, a Shandong Future Power, abriu mercado na Argentina, na Colômbia e no Equador, e viu as vendas fora da China crescerem cerca de 30% no primeiro semestre.

Por que importa no Brasil

a China está comprando mais soja da Argentina. De janeiro a novembro de 2025, foram 6,24 milhões de toneladas, 62,5% a mais que no ano anterior. O Brasil ainda lidera com folga, com 76,7 milhões de toneladas no mesmo período. A Argentina também é a maior exportadora de farelo e óleo de soja do mundo. Se o campo argentino ganhar máquina chinesa com IA, o concorrente fica mais produtivo. Aqui, a mesma YTO já vende tratores e quer 20% do mercado.

TECH

Semicondutores

Sinal 2: Data centers de IA encarecem os celulares e derrubam as vendas

A falta de chips de memória, puxada pela demanda dos data centers de IA, fez as vendas de celulares no mundo caírem 20% no terceiro trimestre de 2026, segundo a Counterpoint Research. Foi o pior terceiro trimestre desde 2012. Com a memória mais cara, o preço médio do celular no varejo subiu 20% este ano.

As marcas chinesas foram as que mais perderam. As vendas da Xiaomi caíram mais de 30%, e a fatia dela no mercado foi de 14% para 10%. As de OPPO e vivo caíram mais de 20%. Samsung, com 23% do mercado, e Apple, com 22%, ganharam espaço. Na China, só a Huawei e a Apple cresceram entre as cinco maiores, segundo a Omdia.

Por que importa no Brasil

o celular vendido aqui usa a mesma memória. No Brasil, a IDC estima que 2026 feche com 31,6 milhões de aparelhos vendidos, o menor número desde 2012, com muita gente adiando a troca. A chinesa Changxin quer lançar memória para servidores até o fim do ano, e mais oferta é uma das poucas saídas para esse preço baixar.

TECH

VEs e baterias

Sinal 3: Salão do Automóvel de Paris 2026 tem recorde de marcas chinesas

O Salão do Automóvel de Paris 2026 abriu em 12 de outubro com 20 marcas chinesas, um terço das cerca de 60 montadoras presentes. Em 2024 eram 10.

Entre as estreias, a Smart, joint venture entre Mercedes-Benz e Geely, mostrou o smart #2, elétrico de dois lugares com menos de 3 metros. A Avatr apresentou o conceito T09, SUV de seis lugares desenvolvido com a Huawei, com três motores e mais de 1.000 cavalos. A Li Auto estreou na Europa o i6, seu primeiro elétrico global, com vendas na Noruega e na Holanda a partir do primeiro trimestre de 2027.

A Changan, dona da Avatr e da Deepal, disse em Paris que quer ter uma fábrica na Europa com capacidade de 180 mil carros por ano até 2028.

Por que importa no Brasil

a Europa é onde as chinesas testam produto fora de casa, e muito do que estreia lá tende a chegar a mercados como o Brasil. Por aqui, carros chineses já são 21,4% dos carros de passeio emplacados em 2026, e a BYD é a 4ª marca que mais vende. Leia junto com a próxima notícia: o espaço dos híbridos chineses por lá acaba de ser limitado.

TECH

Política e comércio

Sinal 4: China e UE fecham acordo que limita a importação de híbridos chineses na Europa

China e União Europeia fecharam um acordo sobre o comércio de veículos híbridos. O Ministério do Comércio chinês anunciou o entendimento depois de dois dias de conversas em Pequim, em 8 e 9 de outubro, conduzidas por Wang Wentao e pelo comissário europeu de Comércio, Maroš Šefčovič.

Os dois lados descrevem o pacto de formas diferentes. Segundo Šefčovič, a importação europeia de híbridos e híbridos plug-in chineses cai pela metade, o que equivale a milhões de carros a menos em quatro anos em relação ao volume esperado. A China diz que o arranjo parte das 302 mil unidades de 2025, com crescimento anual, e que sua cota não será menor que a de nenhum outro fornecedor. Cotas e prazos não foram divulgados.

Por que importa no Brasil

as importações europeias de híbridos chineses foram de 107 mil em 2024 para 302 mil em 2025, e agora esse crescimento tem um limite. Os carros que não couberem lá vão procurar outro mercado. O Brasil é candidato, mas desde julho cobra 35% de imposto sobre híbridos importados. Por isso, quem quer vender aqui passa a montar aqui, como BYD e GWM.

TECH

IA

Sinal 5: Doubao quer automatizar apps, mas 151 já recusaram. Será que vai conseguir?

O Doubao, assistente de celular da ByteDance, anunciou em 14 de outubro que vai operar apps de terceiros, tocando e rolando a tela como uma pessoa faria. Antes, deu 30 dias de aviso público para os apps dizerem se aceitam; quem não recusou será liberado aos poucos.

A própria empresa divulgou a lista dos apps que recusaram: mais de 150. Entre eles, da Tencent, o WeChat; da Alibaba, Taobao, Alipay e DingTalk; e ainda Meituan, Kuaishou, DeepSeek e Kimi. O agente não consegue agir dentro deles, mas o usuário continua abrindo tudo manualmente.

Por que importa no Brasil

WhatsApp, bancos e marketplaces vão deixar um assistente de IA operar os apps deles no seu celular? Na China, os gigantes já responderam que não, com o argumento de segurança de conta e risco em transações. Sem acesso aos principais apps, os agentes adicionam pouco valor.

TECH

IA

Sinal 6: Alibaba prepara o Qianwen Go, um assistente que age em plataformas de terceiros

A Alibaba Cloud anunciou em 13 de outubro o Qianwen Go, assistente pessoal de IA que age em nome do usuário em plataformas de terceiros. Ele pode pedir compensação por voo atrasado, solicitar o reembolso da proteção de preço do Taobao, agendar manutenção de carro, reservar quadra esportiva e comparar preços.

Em teste, ele já conseguiu indenização por voo atrasado e ajudou a pedir 52 yuans de reembolso no Taobao. Por enquanto, o acesso é por fila de inscrição no app Qianwen, liberado em fases.

Por que importa no Brasil

só no ano passado, o Consumidor.gov.br fechou mais de 2,3 milhões de reclamações. Nos voos, o Brasil concentra cerca de 95% das ações judiciais contra companhias aéreas no mundo, e esses processos custam R$ 1,4 bilhão por ano às empresas, segundo a Abear. Hoje, muita gente terceiriza essa briga para escritórios especializados. Um agente de IA pode fazer esse caminho por você, sem se cansar.

Empresas

TECH

IA

Sinal 7: DeepSeek fica quase 5 horas fora do ar e compensa usuários com créditos

Em 15 de outubro, a DeepSeek saiu do ar às 8h11 (horário de Pequim) e só voltou ao normal depois de 4h52. A queda atingiu o site, o app e as APIs, incluindo os modelos V4.1 Pro e V4.1 Flash. A empresa localizou a causa e começou a corrigir ainda na primeira hora.

A DeepSeek pediu desculpas e compensou os usuários de API com créditos equivalentes a todo o consumo dos 7 dias anteriores à queda (8 a 14 de outubro). Alguns receberam mais de 1.000 yuans em créditos (cerca de R$ 760).

Por que importa no Brasil

86% das empresas brasileiras já usam IA generativa, segundo pesquisa da IDC com a ABES. E a instabilidade não é só da chinesa: ChatGPT e Claude também saíram do ar várias vezes em 2026. Quem depende de um modelo só fica parado junto com ele. Ter outro de reserva virou o mínimo.

Empresas

TECH

Manufatura avançada

Sinal 8: CIIF 2026 reúne mais de 400 empresas de robótica em Xangai

A 26ª Feira Internacional da Indústria da China (CIIF) aconteceu na semana passada, de 12 a 16/10, com mais de 400 empresas de robótica e mais de 300 lançamentos.

A Siemens estreou um pacote completo para robôs humanoides e lançou mais de 20 produtos, e a Panasonic trouxe 12 itens de automação, além de refrigeração líquida para data centers de IA.

A KUKA lançou a plataforma KAI, que reúne dados de robôs KUKA e de equipamentos de outras marcas para monitorar a fábrica inteira. A Hollysys ampliou a cooperação com a Shenyang Zhongmei em CLPs para mineração inteligente e apresentou um sistema de programação de refino com IA.

Por que importa no Brasil

Siemens, Panasonic e KUKA vendem para o mundo todo e escolheram Xangai para estrear humanoides e IA industrial. Na abertura, Xangai lançou um plano para ter 8.000 robôs humanoides em fábricas até 2028. Lembra dos humanoides nas fábricas da Hyundai por aqui, na última edição?